Obstrução das vias aéreas

Se o seu animal estiver a sufocar ou com dificuldades respiratórias aproxime-se de forma tranquila e calma porque estará aflito e stressado e portanto mais reactivo. Poderá ter uma obstrução das vias respiratórias.

 

Uma obstrução pode ser causada por:

  • Comida, brinquedos ou outros objectos
  • Vómito
  • Trauma na região cervical ou da garganta
  • Patologia das vias respiratórias superiores
  • Edema (inchaço) da língua

 

Deve estar atento quando o seu animal:

  • Raspar com a pata o focinho na zona da boca
  • Tiver os olhos esbugalhados
  • Estiver a tossir compulsivamente
  • Mostrar-se agitado, ansioso ou inconsciente
  • Tiver dificuldade em respirar (apneia)
  • Apresentar paragem respiratória
  • Tiver gengivas pálidas (anémicas) ou azuladas (cianosadas)

 

Tente acalmar o cão e manter-se calmo enquanto abre a boca do animal e passa o seu dedo para perceber se existe algum objecto que possa estar a causar a obstrução. Tenha sempre em atenção para NÃO EMPURRAR O OBJECTO MAIS PARA O INTERIOR!

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Se não conseguir sentir nenhum objecto, puxe a língua do animal para fora delicadamente, com o auxílio de um pano, para tentar desobstruir algum corpo estranho que possa estar na garganta e volte a inspecionar a boca.

Se continuar a não conseguir desobstruir as vias aéreas, realize a Manobra de Heimlich ao seu animal:

Se o seu animal é um cão de porte pequeno ou um gato, suspenda-o pelas ancas ou eleve os seus membros posteriores com a cabeça para baixo.

 

Pode também colocar-se atrás do animal, envolvê-lo com os seus braços à volta da barriga, perto da anca, e pressionar para dentro e para cima, sobretudo se for um animal de grande porte que não consegue levantar. Se o animal estiver inconsciente realize a manobra com o animal deitado de lado.

 

Se ainda assim não conseguiu remover a obstrução, deve fazer 5 compressões abdominais atrás da última costela, seguidas de 5 respirações boca-focinho.

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Por fim, pode ainda dar um “golpe forte” entre as escápulas (ombros) com o calcanhar da mão e repetir as compressões abdominais.

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Passe sempre com o dedo na boca do animal após cada tentativa de desobstrução para remover o objecto caso se liberte.

Mesmo que tenha conseguido remover o corpo estranho, esta situação requer assistência veterinária imediata pois pode ter causado ferimentos internos!

 

 

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Estado de Choque

O estado de choque resulta de uma alteração do fluxo de sangue e oxigénio aos órgãos internos. Em todas as emergências deve-se considerar sempre os sinais de choque porque indica a gravidade do caso em questão.

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O estado de choque resulta de uma alteração do fluxo de sangue e oxigénio aos órgãos internos. Pode resultar de hemorragia, trauma, insuficiência cardíaca, electrocussão, reacção alérgica, infecção, etc.

Independente da causa específica, o choque é a emergência com o qual nos podemos deparar com maior probabilidade e constitui uma ameaça séria à vida do animal. Em todas as emergências deve-se considerar sempre os sinais de choque porque indica a gravidade do caso em questão.

Nesta situação o organismo do animal tenta compensar e os sintomas começam a ser visíveis:

Fase inicial:

  • Taquipneia: Aumento da frequência respiratória
  • Taquicardia: Aumento da frequência cardíaca
  • Pulso normal ou mais intenso
  • Mucosas mais vermelhas
  • Tempo de Repleção Capilar (TRC) 1-2 segundos
  • Temperatura baixa ou no caso de choque séptico, aumentada

Organismo tem dificuldade em compensar a redução do fluxo sanguíneo e de oxigénio.

 

Fase intermédia:

  • Taquicardia: Aumento da frequência cardíaca
  • Pulso fraco
  • Mucosas anémicas (brancas)
  • TRC aumentado
  • Temperatura baixa (hipotermia)
  • Estado deprimido
  • Membros frios

Nesta fase o organismo já não consegue compensar a redução do fluxo sanguíneo e de oxigénio aos órgãos vitais

 

Fase final:

  • Braquicardia: Diminuição da frequência cardíaca
  • Bradipneia: Repiração lenta e superficial
  • Pulso fraco ou ausente
  • Mucosas anémicas ou cianosadas (azuis)
  • TRC aumentado
  • Hipotermia
  • Estado deprimido ou inconsciente
  • Membros frios

 

Pode ocorrer paragem cardio-respiratória e será necesário iniciar suporte básico de vida:

  • Coloque o animal de lado com pescoço extendido
  • Eleve a parte posterior do animal caso não haja suspeita de fractura da coluna

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  • Controle hemorragias
  • Aqueça o animal com um cobertor

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  • Esfregue as gengivas com mel.

 

Esta situação requere assistência veterinária imediata!

Hemorragia

Uma hemorragia é uma perda de sangue, que pode ser rápida se o sangue estiver a sair de uma artéria, ou mais lenta se tiver sido atingida uma veia.  Iremos explicar como estancar uma hemorragia em caso de acidente ou trauma. Quando a perda de sangue corresponde a um grande volume pode ser fatal pois provoca paragem cardíaca!

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As hemorragias externas são facilmente detectadas e podem resultar de cortes ou perfurações. Se for superficial apenas atinge a pele e os pequenos vasos sanguíneos que a irrigam. Neste caso deve calçar luvas e fazer compressão directa com compressa ou material limpo sobre o local. Não remover até hemorragia cessar. Caso a hemorragia não cesse deve nesse caso ter em atenção:

  • Se sangue vermelho-vivo em jacto então houve perfuração de uma artéria e deve efectuar compressão manual acima da lesão
  • Se sangue vermelho escuro houve perfuração de uma veia de deve efectuar compressão manual abaixo da lesão.

Se mesmo assim não conseguir controlar a hemorragia então faça um penso compressivo.

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Há zonas no corpo onde as artérias se localizam muito próximo da superfície. Ao exercer pressão num ponto específico, irá fechar parcialmente a artéria, reduzindo o fluxo de sangue e, permitindo a formação de coágulo. Ao exercer pressão nestes pontos deverá a cada 10 minutos, aliviar a pressão para evitar danos permanentes.

  • Hemorragia no membro anterior: Pressionar com 3 dedos o interior da axila
  • Hemorragia no membro posterior: Pressionar com 3 dedos o interior da virilha
  • Hemorragia na cauda: Aplicar pressão na base da cauda

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Se apesar de todos os esforços continuar a não conseguir cessar a hemorragia e, APENAS EM ÚLTIMO RECURSO, aplicar um torniquete! Se for necessário deve ter muito cuidado porque poderá causar danos graves ao impedir a circulação sanguínea.

Para aplicar um torniquete deve:

  • Dar duas voltas com ligadura acima da hemorragia, sem nó
  • Fixar a ligadura com um objecto rijo, por exemplo uma caneta
  • Rodar lentamente a caneta até cessar a hemorragia
  • Aliviar a pressão durante alguns segundos a cada 10 minutos de modo a evitar danos permanentes.

 

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Cortes nas orelhas são difíceis de estancar hemorragias porque são zonas muito irrigadas. Neste caso deve fazer um penso compressivo de orelha:

  • Compressão da zona de hemorragia com o ferimento enrolado em gaze
  • Colocar um algodão entre cabeça e a orelha do animal de modo a que a orelha fica confortavelmente acomodada sobre a cabeça
  • Colocar ligadura à volta da cabeça do animal tendo sempre em atenção para não apertar o seu pescoço mas manter-se firme. Deixar a outra orelha livre. É preferível usar gaze elástica para maior flexibilidade de movimentos, segurança e conforto do animal
  • Opcionalmente pode colocar como protecção uma meia com extremidade cortada para evitar que o animal consiga facilmente remover o penso compressivo.

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Procure assistência veterinária para ferimentos mais graves ou cortes profundos! Tenha sempre cuidado de desinfectar a ferida para evitar complicações.

 

Após controlar uma hemorragia externa superficial, trate do ferimento ou corte, desinfectando a ferida e fazendo um penso a cobrir o ferimento:

  • Corte o pêlo em torno do ferimento com uma lâmina para melhor observação, desinfecção e fixação do penso
  • Limpe o ferimento com soro fisiológico abundante. Deixe secar e coloque um produto desinfectante. Seque
  • Se optar por uma pomada antibiótica, aplique uma boa quantidade sobre a gaze e cubra a ferida com ela
  • Aplique gaze sobre o ferimento e fixe com ligadura em torno do local do ferimento
  • Troque o penso e faça nova desinfecção consoante a necessidade do ferimento, usando o  soro fisiológico para remover gaze adesiva
  • Coloque um colar isabelino ou outro método de contenção se for necessário para evitar que o animal remova o penso ou agrave o ferimento.

 

A hemorragia interna é difícil de detectar, por não ser visível. Após uma queda ou um acidente, o animal pode perder sangue por rompimento de um órgão ou um vaso interno.

Se o animal estiver com uma hemorragia interna, irá baixar a temperatura rapidamente e as mucosas (gengivas e conjuntivas) ficarão muito pálidas. O animal pode perder a consciência e entrar em choque. Como não temos como diagnosticar a hemorragia interna, em casos de acidentes ou quedas, se houver perda de temperatura, palidez e perda de consciência, tratar o animal como no caso de choque e encaminhá-lo ao veterinário imediatamente.

Hipertermia ou Golpe de Calor

Num dia quente, com temperaturas no exterior por volta dos 22ºC, que para nós humanos é bastante tolerável, a temperatura dentro de um carro, pode atingir os 47ºC, no espaço de uma hora!

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A elevação da temperatura corporal acima do normal pode ser causada por uma infecção (febre), mas também pode ter origem externa. Quando a causa é ambiental é designada hipertermia ou golpe de calor e ocorre quando o organismo produz ou absorve mais calor do que consegue dissipar.

A hipertermia canina é uma condição bastante séria, que pode aparecer de repente e evoluir para uma situação emergencial em questão de minutos. Saber como tratar essa doença pode ser vital ao tentar salvar a vida do animal.

 

Factores de risco:

  • Exposição a altas temperaturas
  • Excesso de exercício físico
  • Obesidade
  • Animais muito jovens ou cães idosos
  • Doença cardíaca e/ou pulmonar
  • Raças braquicefálicas (focinho achatado)
  • Animais de grande porte ou pelagem densa
  • Animais fechados em carros

 

Sintomas:

  • Arfar em excesso (aumento da frequência respiratória)
  • Muita sede
  • Ansiedade, fraqueza ou cansaço
  • Diarreia/ vómito com sangue
  • Língua vermelho vivo (depois azul ou roxa) e gengivas pálidas
  • Saliva grossa
  • Aumento da frequência cardíaca
  • Desorientação
  • Convulsões
  • Colapso ou estado de coma

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O que fazer:

  • Colocar o animal num local fresco e ventilado
  • Medir a temperatura rectal do animal. A temperatura normal de um cão é de 38-39 ºC. Acima de 39,5 ºC encontra-se em hipertermia e será fatal acima de 43 ºC
  • Colocar toalhas molhadas na cabeça, pescoço, patas e abdomen para arrefecimento gradual. Também pode usar um borrifador de água
  • Aplicar álcool no dorso, membros e almofadinhas das patas
  • Utilização de uma ventoinha para facilitar arrefecimento
  • Deixar o animal beber água à temperatura ambiente
  • Controlar a temperatura rectal até 39,4 ºC e parar o arrefecimento
  • Levar o animal o mais rápido possível a um veterinário. Pode ter sofrido lesões a nível interno (danos nos órgãos).

 

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O que não fazer:

  • Forçar o animal a beber água ou dar-lhe água gelada
  • Utilizar gelo para arrefecer o animal pois variações bruscas de temperatura são prejudiciais (choque térmico)

 

Prevenção:

  • Nunca deixe o cão no carro. mesmo com vidros abertos e à sombra, a temperatura interna de um veículo pode aumentar rapidamente após alguns minutos, podendo resultar em morte
  • Cuidar do cão de acordo com a estação do ano. Raças de pêlo comprido e grosso precisam de cuidados e tosquias durante a época mais quente
  • Deixe sempre o cão em locais com sombra e água sempre à disposição
  • Evitar caminhadas em alcatrão e exercício físico excessivo em das muito quentes.

 

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Se vir algum cão nestas condições por favor alerte as autoridades:

Serviço de protecção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA):

Tel: +351 213 217 291/2

Linha SOS: 808 200 520

Email: Sepna@gnr.pt / dsepna@gnr.pt

Através de defesanimal@psp.pt ou do número +351 217 654 242 é possível pedir esclarecimentos ou denunciar casos!

Suporte Básico à Vida

Quando perante um acidente ou doença grave, é necessário avaliar os sinais vitais do animal de modo a avaliar a gravidade da situação e colocar por ordem de prioridade as lesões e patologias (triagem).

Principais prioridades:

  • Paragem respiratória, ausência de pulso
  • Paragem respiratória, com pulso
  • Perda de consciência
  • Choque
  • Dificuldade respiratória
  • Perfuração tórax
  • Hemorragia severa
  • Hipertermia/ Hipotermia
  • Intoxicação

Suporte Básico de Vida

Após avaliação dos sinais vitais do animal, em caso de paragem cardio-respiratória, a ressuscitação cardiopulmonar básica segue a regra ABC:

A-    Airway (via aérea)

B-    Breathing (respiração)

C-    Circulation (circulação)

Observar se tem vias aéreas desobstruídas, e avaliar o batimento cardíaco e a frequência respiratória. A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) combina ventilação e compressões torácicas.

Paragem Cardíaca

Na Paragem cardíaca, o coração não consegue bombear o sangue para o corpo, não havendo oxigenação nos tecidos nem remoção de produtos residuais. Esta situação é grave e pode causar hipoxemia e lesões orgânicas isquémicas.

Ocorre em animais que receberam forte choque ao morder fios elétricos, após atropelamentos, quedas, afogamentos ou traumatismos graves. Cães e gatos com doenças cardíacas submetidos a stress ou exercício intenso podem sofrer paragem cardíaca.

Colocar o animal em decúbito lateral direito, com a cabeça e tórax mais baixo que o resto do corpo. No caso de gatos e cães pequenos (<9Kg) deve segurar o tórax entre o polegar e os dedos (Figura 1A). Para cães e gatos médios e grandes (>9Kg), colocar uma mão sobre a outra a meio do tórax (Figura 1B) e comprimir cerca de 25-50%. Em animais gigantes e obesos ou de peito largo (por exemplo, bulldog), o animal deve ser colocado em decúbito dorsal, com a cabeça e tórax mais baixo que o resto do corpo, e deve colocar a sua mão sobre a outra sobre o esterno do animal (Figura 1C).

Figura 1: Compressão cardíaca em animais A-  de pequeno porte; B- de porte médio/grande; C- gigantes ou obesos/ Peito largo.

Normalmente ocorre primeiro paragem respiratória, podendo o coração continuar a bater. A ventilação deve ser iniciada o mais rápido possível e mantida até chegar ao médico veterinário.

100-120 COMPRESSÕES/MINUTO

VENTILAÇÃO= 10 RESPIRAÇÕES /MINUTO

 

Paragem Respiratória

Verificar se o animal respira, observando os movimentos torácicos ou sentindo a deslocação de ar nas narinas. Para tal, pode usar a palma da sua mão, um espelho que fica embaciado com a respiração ou um algodão, que se move com o fluxo de ar. Pode procurar ouvir o fluxo de ar ou observar a cor das mucosas. Se estiverem azulados a animal está em hipoxia (falta de oxigénio nos tecidos).

Quando o animal não respira, em primeiro lugar devem-se observar as vias respiratórias. Deitar o animal sobre o lado direito, estender o pescoço, tendo sempre em atenção possíveis traumas cervicais, abrir a boca e puxar a língua. observe se há alguma obstrução na garganta, causada por sangue ou objetos. No caso de líquidos, tente aspirar com uma seringa. Não tente tirar objetos da garganta. Pressione fortemente as costelas do animal para que o objeto seja expulso. Faça 5-6 compressões abdominais e volte a inspecionar a faringe. Sopre 2-3 vezes para o interior das narinas do animal. Se não houver obstrução à passagem de ar, inicie a respiração boca-focinho. No caso de haver obstrução à passagem de ar, efectue a manobra de Heimlich.

Para fazer a respiração Boca-Focinho, feche a boca do animal de modo a ficar selada, mantendo o pescoço em extensão. Deve colocar a sua boca nas narinas do animal e soprar para o interior 4-5 vezes, sentindo o peito do animal elevar-se. Pressione de seguida as costelas delicadamente para que o ar saia. Num minuto deve repetir o procedimento 8 a 10 vezes (10 rpm). Verifique se o animal inicia a respiração sem assistência, avaliando o pulso a cada 10 segundos.  Continue a respiração artificial caso o animal ainda não respire sozinho.

Figura 10. Ressuscitação cardio-pulomonar

Figura 2. Ressuscitação Cardio-pulomonar

 

Para massagem cardíaca e ventilação deve fazer:

1 RESPIRAÇÃO POR CADA 5 COMPRESSÕES

MÉTODOS DE CONTENÇÃO

Os métodos de contenção impedem que seja magoado pelo animal que está a tentar ajudar ou resgatar, ao aplicar as medidas de primeiros socorros, restringem os movimentos do animal, impedindo que agrave a sua lesão e facilitam a observação e tratamento. Descrevemos alguns métodos de contenção física disponíveis para cães e gatos.

 

AÇAIME:

Existem vários modelos disponíveis para cães e gatos. O modelo para gatos (Figura 1a) cobre todo o focinho do animal, incluindo os olhos, ajudando a acalmá-lo.

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Figura 1a: Açaime para gatos

Ao comprar um modelo de açaime para cão (Figura 1b) escolha o modelo mais confortável para o animal e mais seguro para si. Existem muitos modelos disponíveis no mercado mas nem todos são confiáveis.

Figura 1b: Açaime para cães

Quando não tem um açaime disponível pode improvisar usando uma gaze ou até mesmo uma gravata ou collants. Dê um nó em cima do focinho do cão, outro em baixo e por fim, atrás das orelhas (ver Figura 1c). No caso de raças braquicefálicas (focinho achatado) é necessário um nó adicional para que o açaime não se solte (Ver Figura 1d). Tenha o cuidado de não ficar demasiado apertado ou solto, para que nem você nem o animal se magoem.

Figura 3. Açaime

Figura 1c: Açaime com gaze

Figura 4. Açaime para raças braquicefálicas

Figura 1d: Açaime com gaze para raças braquicefálicas

Não coloque açaime em situações em que o animal esteja a vomitar ou com dificuldades respiratórias!

 

COLAR ISABELINO:

O colar Isabelino (Figura 2a) é normalmente utilizado para evitar que o animal chegue a uma lesão no corpo, não afetando a sua mobilidade. Pode contudo, ajudar a controlar um animal e evitar uma dentada em caso de emergência.

Figuras 2a: Colar Isabelino

Já existem neste momento muitos modelos disponíveis (Figura 2b), com vista a melhorar o bem estar do animal quando é necessário usar um colar isabelino, variando em tamanho e tipo de material. Ao comprar um opte pelo modelo que melhor se adequa ao seu animal e ao seu bem estar e conforto.

Figura 2b: Modelos alternativos ao Colar Isabelino original.

 

IMOBILIZAÇÃO DO ANIMAL:

Para imobilizar um animal magoado poderá fazê-lo com o animal em estação (de pé), como se mostra na Figura 3a. Também poderá colocar o animal em decúbito lateral (deitado), agarrando-lhe nas patas encostadas a si e apoiando-o com o seu corpo para não o deixar cair no chão (Ver Figura 3b). Para manter o animal deitado deverá segurá-lo como na Figura 3c, tendo sempre o cuidado de não exercer demasiada pressão.

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Figura 3a: Método de contenção em estação.

Figura 6. Imobilização em decubito lateral 1

Figura 3b: Método de contenção em decúbito lateral.

Figura 7. Imobilização em decubito lateral 2

Figura 3c: Método de contenção com o animal deitado.

 

TRANSPORTE:

O transporte do animal deverá ser feito em segurança, manipulando o animal o menos possível em caso de suspeita de fractura, hemorragia interna ou atropelamento. Improvise uma maca por exemplo com uma tábua e prenda o animal a esta com ligaduras, gaze ou outro material que tenha disponível, até chegada ao hospital ou clínica veterinária (Figura 4).

Figura 8. Transporte

Figura 4: Transporte de animal ferido até à clínica ou Hospital veterinário

Os métodos de contenção apresentados não são cruéis, nem causam dor ou prejuízo aos animais, se aplicados conforme descrito. Alguns podem ser desconfortáveis, mas permanecerão apenas o tempo suficiente para tratar o animal!

Como abordar um animal com medo

Numa situação de emergência é necessário abordar o animal de forma segura. Este poderá encontrar-se magoado e com dor, assustado e, por isso, reagir perante uma tentativa de contacto.

Antes de se aproximar de um animal, cão ou gato, esteja atento à sua postura corporal de forma a perceber se o animal se encontra sob stress, medo ou dor.

Ao observar um animal perceberá rapidamente que eles estão constantemente a comunicar através da sua postura corporal e de sinais, chamados sinais de calma. Desta forma eles comunicam entre si e conosco e mostram quando estão relaxados e felizes ou, pelo contrário, stressados e com medo. Um animal assustado pode reagir de três formas: ficar imóvel, sem reação (modo freeze), fugir e afastar-se da causa do seu medo ou não tendo essa possibilidade pode reagir e atacar em sua defesa! Muitas vezes um animal reage e não percebemos porquê porque não estivemos atento aos seus sinais e o animal sentiu-se ameaçado com a nossa atitude!

Procure estar mais atento para evitar contatos desagradáveis com os seus animais e prevenir problemas comportamentais futuros. Deixamos aqui algumas imagens de posturas corporais de cães e gatos e do seu significado. Aprenda a conhecer o seu melhor amigo!

 

 

Nestas situações mesmo o seu próprio animal doméstico pode reagir agressivamente à sua aproximação ou toque. Se o animal mostrar tensão (veja nas Figuras os sinais de alerta) aproxime-se de forma lenta e cuidadosa, não efectue movimentos bruscos ou ruidosos e fale com um tom de voz calmo e suave. Não se aproxime de frente para o animal nem estabeleça contacto visual directo com ele. Faça uma aproximação em arco, ligeiramente de lado. Deixe que ele se aproxime de si e o cheire. Se não o fizer tente aproximar-se e coloque-se de cócoras mas de forma a que o seu corpo não fique sobre o animal. Se for necessário capturar o animal pode servir-se de uma toalha ou fazer um laço com uma trela. Seja firme, tranquilo e confiante e aplique um método de contenção e transporte adequado à espécie e à situação.

Avaliação de Sinais Vitais

Saber como avaliar os sinais vitais do seu animal de estimação demora menos de cinco minutos e pode permitir-lhe numa situação de emergência avaliar a gravidade do estado de saúde do animal!

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  • Nível de Consciência: O estado alerta é quando um animal se encontra acordado e responsivo ao meio. É o estado normal de um animal. Um animal está deprimido se está acordado mas menos responsivo a estímulos visuais e tácteis, com tendência a adormecer quando não estimulado. Este estado é comum a muitas doenças e deve ser encaminhado para médico veterinário se persistir no dia seguinte. O estado de estupor é mais grave, necessitando de assistência médico veterinária imediata. Neste estado o animal dorme, respondendo apenas a estímulos dolorosos. Por fim, temos o estado de coma em que o animal já nem responde a estímulos dolorosos. Trata-se de uma urgência que deve ser imediatamente encaminhada para o veterinário
  • Temperatura: A medição da temperatura nos animais é feita por meio rectal com o auxílio de um termómetro. O termómetro deve ser posicionado de forma a que a extremidade fique em contacto directo com a mucosa rectal. A temperatura normal de um cão é de 38-39 ºC e a de um gato 38-39,5 ºC.  Considera-se que a temperatura do animal está alterada e necessita de atenção quando varia mais de 0,5 ºC dos valores de referência
  • Cor das Mucosas: A cor das mucosas é normalmente analisada pelas gengivas ou pálpebras. Ela é um bom indicador da condição de circulação de sangue bem como da oxigenação. No seu estado normal as mucosas apresentam um tom vermelho-róseo. Deve-se contactar de imediato o médico veterinário no caso de estarem brancas (anemia ou choque), azuladas (hipóxia), vermelho vivo (intoxicação) ou amarelas (problemas hepáticos)
  • TRC: O Tempo de Repleção Capilar (TRC) é o tempo que a gengiva do animal leva a voltar à cor normal após a aplicação de pressão sobre a gengiva. A área deve branquear e voltar rapidamente à cor rosa em 1-2 segundos num animal saudável. Este teste é feito para avaliar o estado da circulação do animal
  • Hidratação: O grau de hidratação é avaliado através da elasticidade da pele. Ao puxá-la na região lateral do corpo deve-se observar se ela volta rapidamente à posição normal. Quando a pele volta lentamente à posição normal o animal tem uma desidratação leve. No caso de não voltar à posição normal apresenta uma desidratação grave
  • Frequência Cardíaca / Pulso: A contagem do batimento cardíaco de um cão/gato pode ser feita do lado esquerdo do peito, na área onde o cotovelo, quando levantado, toca o peito. Para fazer este teste o cão deve estar calmo. Conte o número de batimentos cardíacos por minuto (bpm). Se não for possível determinar os batimentos cardíacos do animal, pode-se tentar determinar a taxa de pulso. A pulsação sente-se na artéria femoral localizada no membro posterior, região da virilha. Coloque dois dedos para o alto no interior da coxa do animal e conte a pulsação por minuto. Os valores normais para um cão pequeno são de 70-180bpm. Para um cão médio/grande cerca de 60-140 bpm. No caso de um gato 120-240 bpm
  • Frequência Respiratória: É fácil contar o número de respirações nos animais, basta observar os movimentos da caixa toráxica ou colocar a mão sobre o peito para os sentir. A frequência respiratória deve ser contada antes de qualquer manipulação do animal, juntamente com a frequência cardíaca, uma vez que o mesmo, ao excitar-se aumenta a sua frequência normal. O valor das respirações por minuto (RPM) de um cão saudável é de 10-30 rpm. Um gato apresenta valores entre 20 e 40 rpm.

Meça os sinais vitais dos seus animais para ter como referência em caso de emergência.

Kit Primeiros Socorros

É importante estar preparado com um kit de primeiros socorros em casa e no carro, com alguns itens básicos que poderão salvar a vida do seu melhor amigo. Um kit de primeiros socorros, mesmo se não seja utilizado, dá-lhe a segurança de saber que está preparado para lidar com emergências. É sempre melhor ter e não precisar, do que precisar e não ter!

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É importante estar preparado com um kit de primeiros socorros em casa e no carro, com alguns itens básicos que poderão salvar a vida do seu melhor amigo.

  • Ter sempre à mão o número de telefone de urgências do médico veterinário
  • Informação com os sinais vitais normais e peso do animal
  • Açaime ou ligadura para contenção do animal se necessário
  • Colar isabelino
  • Material para pensos: Compressas, Ligadura, Adesivo, tesoura
  • Fita adesiva para imobilização do animal
  • Pinça para remover espinhos e larvas da pele ou objetos estranhos da garganta
  • Seringas e agulhas para administrar medicação, irrigar ferimentos e aspirar secreções
  • Termómetro para avaliar temperatura rectal
  • Toalha grossa/cobertor
  • Luvas de látex e luvas grossas para proteger quem está a socorrer o animal
  • Antiséptico (betadine) para desinfetar ferimentos, cortes e outras lesões da pele
  • Álcool antisséptico para desinfetar as mãos de quem irá socorrer o animal e materiais metálicos (pinça e tesoura)
  • Algodão/cotonetes
  • Lubrificante
  • Soro fisiológico para limpar ferimentos e queimaduras
  • Mel ou açúcar para reanimar o animal
  • Água oxigenada 3% para desinfectar ferimentos
  • Hemostático (nitrato de prata) para parar hemorragias
  • Antihistamínico (aconselhado pelo veterinário) para alergias
  • Antibiótico tópico para evitar infecções em cortes e feridas
  • Carvão vegetal activado para casos de envenenamento
  • Lanterna pequena para observar cavidades e avaliar o reflexo da pupila.

Um kit de primeiros socorros, mesmo se não seja utilizado, dá-lhe a segurança de saber que está preparado para lidar com emergências. É sempre melhor ter e não precisar, do que precisar e não ter!

Primeiros Socorros em Animais de Companhia

Os primeiros socorros são um conjunto de procedimentos que tem por objectivo manter a vida, em situações de urgência, até ser possível a intervenção médico-veterinária especializada. NUNCA SUBSTITUEM A ASSISTÊNCIA VETERINÁRIA!

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O intuito deste guia é ensinar o proprietário como agir em situações de emergência, mantendo a vida do animal até que o atendimento veterinário seja possível. É muito importante ter um kit de primeiros socorros e numa situação difícil, seja qual for o caso, manter a calma!

As ocorrências graves em animais dividem-se em dois casos:

  • Emergência: requer medidas imediatas, pois o animal corre risco de vida. São exemplos a hemorragia, paragem cardíaca e/ou respiratória, atropelamento, envenenamento, choque elétrico, afogamento, etc.
  • Urgência: é uma ocorrência de menor gravidade, mas que precisa ser socorrida a tempo para que o animal não tenha complicações mais sérias. Exemplo: vómito ou diarreia intensos, piometra (infecção uterina), ausência de urina por mais de 24hs, convulsão e outros.